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Escrita Chinesa

Nunca se poderá chamar de alfabeto á escritas chinesa, pois que dada a sua construção, e entre todas as demais, constitui o único remanescente da escrita ideográfica, que escreve cada palavra do idioma por meio de um desenho distinto.

Em sua essência, portanto, a escrita chinesa é ideográfica desde o inicio de sua longa historia, o que não aconteceu com tantas outras que seguiram caminhos diferentes, simplificando-se sempre até atingirem o estagio dos alfabetos propriamente ditos, isto é, escrita dos sons, vogais e consoantes.

Os chineses desenharam os objetos que desejaram representar e transmitir. Á principio, com contornos e detalhes mais ou menos fieis aos modelos e em seguida, de acordo com o material que usaram, foram "estilizando-os" até subtrai-lhes toda semelhança com os objetos representados.

Não ultrapassaram essa fase. Ao contrario; cristalizaram sua escrita até os dias atuais.

Cabem aqui mais algumas considerações para se compreender porque isso aconteceu com a escrita chinesa.

O material que serve de suporte da escrita tem influencia decisiva na modificação da forma dos caracteres gráficos. Os sinais fenícios e aramaicos sofreram transformações apreciáveis depois que a escrita começou a usar papel e papiro. O mesmo aconteceu com os chineses.

O uso de pincel e do papel (ano 100aC.) modificaram de tal forma os caracteres primitivos que dificilmente se pode estabelecer identidade entre eles e as escritas derivadas posteriormente.

Os letrados chineses admitem 8 ou 9 traços fundamentais para a representação de cada idéia ou letra. Colocados esses traços, no interior de um quadrilátero ideal e quase perfeito e dispondo-os em linhas verticais de cima para baixo, em colunas da direita para a esquerda, formam a conhecida escrita identificada até pelos leigos em epigrafía.

Os chineses conferem a máxima importância aos mínimos detalhes da sua escrita, pois que, é o único meio de evitar confusões entre as dezenas de milhares de sinais.

É interessante saber que os modernos dicionários chineses consignam mais de quarenta mil palavras e outros tantos sinais gráficos correspondentes e só inteligíveis e reconhecidos por uma pequena minoria. O numero de caracteres mais usados não passa dos quatro mil.

Outro detalhe: sendo a China um país onde se falam vários dialetos, a escrita Wen-Li ou "oficial", pode ser lida e interpretada em todo o território chinês, ainda que em cada região, cada sinal tenha um significado ou pronuncia diferentes. Os intelectuais comparam esse sistema ao que acontece no ocidente com os algarismos. Representado por símbolos idênticos em vários paises, cada um lê de acordo com seu idioma permanecendo o valor do símbolo.

Atualmente está em franca evolução um novo sistema de escrita, o sistema Kuo-Yu ou idioma nacional e que faz uso dos sinais gráficos do Wen-Li, mas confere a cada um deles um valor fixo e definitivo para todas as regiões da China.

Esse fato resulta da predominância do dialeto ou língua dos mandarins do norte, variedade do Peiping e que era falado por uma população compreendendo 280.000.000 de chineses.

Mais próximo de nós, e com a implantação do sistema coletivista no território chinês, provavelmente será adotado um alfabeto "romanizado", isto é, um verdadeiro alfabeto, cuja descrição será feita oportunamente. Só assim será possível difundir a instrução a todas as camadas sociais.

Oportuno é lembrar que existem vários tipos ou modelos de escrita chinesa. Durante o longo evoluir, os chineses das varias regiões e épocas usaram varias modalidades de escrita, todas elas seguindo aproximadamente o mesmo sistema de escrever as palavras, resistindo sempre ao gênero de escritas silábica e alfabética que tantos benefícios trouxe á civilização ocidental e a outros povos do oriente.

  • Kia-Wen, da época dos Yin, no séc. XII e XI a.C. Foram encontradas inscrições sobre carapaças de tartaruga artificialmente obtidas por meio de aquecimento. De cunho divinatório e cabalístico’dificilmente poderiam ter um valor propriamente epigráfico ou paleográfico.
  • Kin-Wen, da época dos tcheu, nos séc. IX e VII a.C. Foram encontradas inscrições sobre vários objetos e placas de bronze.
  • Tcheu-Wen ou Ta-Tchuan, da época dos reis combatentes (403-247 a.C.) também designadas pelo nome de "escrita do grande selo" e característica da dinastia de Ts’in ou ocidental.
  • Kuo-Wen, mais ou menos da mesma época que as anteriores e usadas nas regiões setentrionais. A escrita foi conservada no livro de Chuo-Wen.
  • Shiao-Tchuan, também da dinastia Ts’in, do séc. III e denominada "escrita do pequeno selo".
  • Li-Chu ou escrita "oficial" introduzida com a adoção do papel, descoberto ou fabricado por Ts’ai Lun no ano de 100 ou 105 d.C.
  • Kai-Chu, derivada da anterior e que após varias modificações é a que até hoje conserva suas características iniciais e é empregada nos dias atuais para a impressão dos jornais e revistas da atualidade.
 
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