Escrita Hieroglífica
"Não inchas teu coração por
causa da tua sabedoria; aprende com o ignorante como aprendes o sábio.
A arte não conhece limites e não há
artista que atinja a perfeição.
O pensamento profundo está mias escondido do
que as gemas preciosas; ele pode ser encontrado nas mãos da domestica
que tritura o trigo"
Quase três mil e quinhentos anos nos separam
da pessoa que escreveu este pensamento e que por tanto tempo foram repetidos
ou imitados por vários autores. Desde aquela longínqua
data (2.400 a.C.) até1822, quando Chapollion conseguiu decifra-las,
ninguém poderia imaginar que houvesse tanta beleza e tanta sabedoria
nos rolos de papiro e nas paredes dos túmulos dos faraós.
As letras usadas pelo povo que viveu as margens do rio Nilo nos albôres
da grande civilização africana, dotadas de caracteres
eminentemente artísticos, só foram conhecidos no início
do século XIX, permitindo abrir os olhos dos sábios para
a contemplação das glorias da um povo cujo fausto desapareceu
nas areias do deserto.
Só a escrita hieroglífica substituiu
indelével, cuidadosamente gravadas nas pedras ou em escrita em
papiros, revelando um mundo repleto de grandes conhecimentos, estuante
da viva e impregnado das mais elevados sentimentos e tradição.
A letra, a escrita hieroglífica, foi os únicos
remanescentes daquela extraordinária civilização.
Sob o ponto de visa paleográfico e epigráfico constituiu
um dos marcos decisivos na elaboração dessas ciências.
Após ser decifrada, iniciou-se uma nova era
para o mundo civilizado e para os cientistas apaixonados pela antiguidade.
É natural que nesta obra lhe seja dado um lugar
de destaque, ao lado de outras escritas que também foram decifradas
mais tarde com, base nos mesmos princípios estabelecidos por
Jean François Chapollion, que a estudou profundamente.
A civilização nilótica não
fugiu ao esquema geral seguido pelos demais povos antigos, quando propôs
a escrever os seus pensamentos, os seus epitáfios, as suas cartas
e as suas mensagens.
Já nos período pré-faraonico ou
pré-dinástico (como provam os fragmentos encontrados no
delta do Nilo), ao redor do ano 3.000 a.C., os egípcios elaboraram
o esboço de uma escrita na qual os motivos gráficos eram
desenhados, mais ou menos artisticamente, na sua forma real. Assim fizeram
os demais povos da antiguidade: os do mar Egeu (cretenses e cipriotas),
os da mesopotâmia (assírios e babilônios) e muito
mais tarde, os ameríndios.
Junto com esses sinais ideográficos, vieram
depois outras centenas, do mesmo gênero que funcionava como "determinativos"
ou "complementares" com os quais era possível formar
frases inteiras e com significado bem definido e constante.
Com Menés, fundador da primeira dinastia egípcia,
segundo se acredita, passou-se dos primeiros esboços à
fase da escrita hieroglífica propriamente dita. Tal qual a conhecemos
e que perdurou quase três milênios.
Desde o ano 3.000 a.C. a escrita hieroglífica
iniciou sua brilhante trajetória, obstante sua beleza e flexibilidade
numa era por demais distante para que seja apreciada devidamente em
todos os seus detalhes.
Quando em pleno apogeu faraônico, a escrita hieroglífica
compunha-se de aproximadamente 1.370 sinais ou símbolos, artisticamente
dispostos de linhas verticais ou horizontais, gravados em colunas ou
muros, desenhados em papiro ou tecidos diversos, conservando sempre
sua forma primitiva através dos séculos, embora surgissem,
mais tarde, outras formas menos rígidas e mais adaptada à
escrita rápida e desembaraçada, como vinha aos cronistas
e escribas mercenários...
As deformações deram origem as escritas
hieráticas e demóticas, descritas mais adiante.
Não cabem aqui, considerações
de ordem filosófica e detalhes sobre a construção
das palavras pelo sistema hieroglífico.
Até o ano 250 a.C., quando apareceu um dos últimos
documentos escritos em hieróglifos, no reinado do imperador Décio,
aa escrita egípcia ostentou toda sua originalidade e beleza só
comparável ás civilização greco-romana,
por intermediário dos fenícios, viria transmitir aos povos
do ocidente.